terça-feira, 11 de dezembro de 2018


São Paulo. 16/09/06 - Visita a Catedral Basílica Santuário de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Fica no município paulista de Aparecida. Diz um folding  que é maior templo católico do Brasil e o segundo do mundo.  Ocupa mais de 143m² de área construída. É a terceira igreja a abrigar a santa desde a sua aparição. O Santuário é administrado pelos Missionários Redentoristas da Congregação do Santíssimo Redentor. É visitado por mais de 12 milhões de romeiros, por ano, de todas as partes do mundo.
O projeto é do arquiteto Benedito Calixto. Tem  a forma de cruz grega. Estilo: neoromânico. Tem uma passarela chamado de "Passarela da Fé", que a liga a antiga basílica, também a visitação de turistas e crentes.  Extensão: 395m que alguns fieis atravessam de joelhos. Ato de consagração: 4 de julho de 1980, pelo papa João Paulo II. Já foi visitada por três papas: João Paulo II, Bento XVI e  o  atual, Francisco. Já recebeu a Rosa de Ouro três vezes. A última foi pelas mãos de Francisco, comemorando os 300 anos do aparecimento da Santa. A rosa de Ouro é a mais antiga condecoração papal.
Saindo, agora, das informações turísticas vem a emoção de um quase descrente diante de tanta grandeza, mas também de tanta fé. O que é isso? Toda essa grandeza para abrigar uma santinha de poucos centímetros de altura, pousada num nicho inatingível. Negra. (Ela era realmente negra? Senão porque representá-la, assim?)
Havia muita gente. E nem era um dia especial. Quando chegamos, estava sendo rezada uma missa. O som desses cantos católicos vibrando dentro das naves dessas igrejas, também vibram dentro de mim. As vezes me dá até vontade de chorar. Catarse? A cara das pessoas que religiosamente crêem também mexe comigo. O que representa aquela pequenina imagem para essas pessoas? Muitas daquelas caras são brancas e talvez até preconceituosas. Mas, ali, só existe fervor. As vezes, nem conhecem a sua história apenas seguem a multidão se ajoelhando, suplicando, implorando uma graça qualquer. Eu? Permaneci em silêncio porque não sei nem rezar e sendo só - não pergunto, como Donne, "por quem os sinos dobram", mas quem rezará por mim, se isso for, realmente, necessário?


segunda-feira, 26 de novembro de 2018


São Paulo. 16/9/06 - Visita a casa de verão do governador paulista, que fica no Alto da Boa Vista, cidade de Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira. Campos do Jordão fica a 173km de São Paulo. A casa/palácio foi mandada construir pelo então governador de São Paulo Adhemar de Barros (1901/1969). Adhemar governou São Paulo duas vezes, de 1947 a 1951 e 1963 a 1966. A casa tem a forma de um castelo. Estilo Tudor, diz o guia. O arquiteto foi Georg Przyrembel.
Dentro, é uma mistura de tudo. Parece um antiquário: móveis, louças, cristais, prataria, lustres de vários estilos e origens. Muitos quadros originais de pintores brasileiros. Principalmente dos modernistas: Malfati, Tarcila (Os operários), Di Cavalcanti, Portinari, Guignard, Di Cavalcanati, Djanira, Rego Monteiro... Diz ter 105 cômodos e cerca de 1800 obras de arte.  No último quarto, a grande cama mandada confeccionar especialmente para adormecer o enorme corpo do General De Gaule (2m20cm), quando de sua visita ao Brasil, em 1964.
Ao lado do castelo há uma capela moderníssima. O folding diz que o arquiteto foi Paulo Mendes da Rocha. E que foi construída sobre um único pilar. É dedicada a São Pedro Apostolo. Mas há uma escultura de São Francisco em ferro vazado. Sozinho. Rodeado de bancos de madeira envernizada. As paredes são de vidro, deixando ver a paisagem montanhosa ao redor. A Serra da Mantiqueira. Cujo nome me fez lembrar a seresta de Ary Kerner Veiga de Castro, gravada por Gastão Formenti, em 1932:
Na serra da Mantiqueira
Sob a fronde da mangueira
Que ela em moça viu plantar
Sentadinha no seu banco
Cruzando o cabelo branco
Mãe Maria vai sonhar...


quinta-feira, 8 de novembro de 2018


22/02/08 - Visita a Gruta de Ubajara - Ubajara é um município cearense situado na Serra da Ibiapaba ou Serra Grande, a 304 km de Fortaleza. Tem uma área de 421 km. Numa altitude de 847m. Gentílico: ubajarense. Um de seus articulistas diz que o nome é de origem tupi e quer dizer: dona da canoa (ubá=canoa e iara=senhora).
 Sua principal atração é a Gruta de Ubajara, situada no Parque Nacional de Ubajara, criado em 1959. Fica a 3km da sede do município. O Parque tem por atração: trilhas, cachoeiras e onze cavernas. O acesso a gruta que se visita é feito por um teleférico e acompanhada por monitores. Trezentas pessoas por dia e doze de cada vez. A Gruta tem 1.200m de extensão numa depressão de 535m. O bondinho vai até setenta e cinco metros de profundidade. O terreno é muito irregular, escorregadio, as vezes, e um pouco sufocante. É escura. Os monitores usam refletores que focalizados sobre as formações rochosas desenham formas e tonalidades de  estranha beleza.
É pena que a propaganda sobre turismo no Ceará se concentre mais  nas praias, quando o estado possui um interior tão diversificado e particularmente bonito. E temperaturas que em certas épocas do ano lembram as das regiões sulistas. Como amazônida, um dos aspectos climáticos que mais me chama atenção é - o vento. Sob um sol escaldante encontrar uma sombra é ter a certeza de uma onda de aragem te refrescará. Ou invocar Caymmi:
"Vento que dá na vela
Vela que leva o barco
Barco que leva a gente
Gente que leva o peixe
Peixe que dá dinheiro, Curimã".

quinta-feira, 18 de outubro de 2018


9/7/1987 – Viagem: Fortaleza, Belém, Amapá, Belém, O trecho Belém a Macapá, de ida, foi de navio a volta de avião. Macapá é um município brasileiro, capital do estado do Amapá. Situa-se no sudeste do estado e é a única capital estadual brasileira que não possui interligação por rodovia a outras capitais. 
Saímos de Belém para Macapá, a meia noite do dia 9. Chegamos dia 11. Vinte e nove horas de viagem, pelo Rio Amazonas, cruzando a oceânica baía de Marajó, se enredando pelos curiosos estreitos de Breves. Nas curvas dos paranás, o navio apita uma ou duas vezes, avisando que vai para este ou oeste. As crianças se aproximam do navio, em suas canoas, a espera de que lhes joguem alguma coisa: comida ou roupa ou brinquedo. É de se ver a perícia da necessidade.
A ausência de eletricidade é suprida por uma enorme lua cheia sobre a mata e o rio. De vez em quando, nas margens "bruxo-leia" a chama de um farol, com lembranças de olhos de cobra-grande. E a grande e profunda solidão do espaço plantado e inundado. O aparente repleto do nada.
As atrações de Macapá são: as praias, o Forte de São José (onde um grupo de teatro já encenou a Paixão e então  ensaiava a Loucura de Artaud) Um  dos principais pontos turísticos é:  o Marco Zero, um grande relógio de sol construído para indicar o local por onde passa a Linha do Equador, que divide a superfície terrestre, de forma imaginária, em dois hemisférios, o  momento exato da ocorrência do equinócio, quando os raios de sol, de forma aparente, incidem exatamente sobre a Linha do Equador. Viagem inesquecível.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018



25/08/10 - 4ª feira: City tour: orla marítima (a avenida litorânea tem seis quilômetros); Centro histórico: Praça dos Leões, palácio de La Ravardière, Praça Pedro II, Igreja da Sé, beco e ladeiras, Projeto Reviver. Almoço.
O evento está se realizando no Hotel Poti. Palestra e depois uma apresentação de Tambor de Creola e Boi Bumbá. Informações:
Natural de São Luis: saoluisense.
Fundação da cidade de São Luis: 1612;
A Ilha mede: 805km²
População: 1.000.000hab
A Ilha de São Luis tem quatro cidades: São Luis, Raposa, Paço do Lumiar e São José de Ribamar. As três cidades: 1.300.000hb.
  
26/o8/10 - 5ª feira: Um passeio sempre agradável: Alcântara. Alcântara pode ser alcançada por terra e por mar. Já estive lá umas três vezes, todas de barco, atravessando a Baia de São Marcos, ora serena ora revolta. Alcântara é um município da Região Metropolitana de São Luís, no estado do Maranhão. Área:  1457,96 km². A zona do atual município era habitada por índios tupinambás, numa aldeia chamada Tapuitapera. Fundação: 22 de dezembro de 1648. Distância até a capital: 30 km
O desembarque é no Porto do Jacaré. Sobe-se até o centro da cidade, por calçamento rústico, até a Praça, onde está a ruína da Matriz de São Matias e o antigo Pelourinho. Ao redor, sobrados coloniais revestidos de azulejos portugueses. A Cadeia e Museu, século XVIII.
Mais adiante, as ruínas do Palácio Negro, antigo mercado de escravos. Ruínas das casas que disputavam a hospedagem do Imperador, que por isso mesmo desistiu da visita a Alcântara, dizem os guias. Rua da Amargura. 
Visita a Casa de Cultura Aeroespacial, onde militares mostram vídeos das atividades da Base de Alcântara. Fotos de foguetes e outros artefatos aeroespaciais. Indumentária. Uma réplica da Sonda 4 (foguete de testes).
Fora essa demonstração de modernidade, Alcântara nos faz mergulhar num passado de vários séculos. E, quase inacreditável, dada a distância da Ilha de São Luis, que tenha tido um passado tão rico, conforme se vê nas ruínas de casas de barões e altos comerciantes. Numa de suas igrejas, o guia mostra o púpito em que pregava o Padre Antônio Vieira.
Vale uma visita.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018


Há quarenta anos esta noite - VII 

Creio que a mais popular invenção do século XX  – foi o cinema. Foi por meio dele que recebemos ou popularizamos o famoso “american way of  life”, isto é, boas e más influências, por exemplo:
moda: tênis, calça jeans, camisas de malha...;
alimentação: coca cola, hamburger, saladas...;
habitação: edifício, apartamento, elevador...;
transporte: carro (automóvel), motos...;
música: fox, swing, baladas, jazz...;
 idioma inglês: é só dar uma volta pelas ruas de nossas capitais e ler o nome de seus estabelecimentos... e a moeda? Ah! o dólar.
Eu recebi. "Gosto que me enrosco" de sanduíches, de calças jeans (ou assemelhadas), de camisa de malha, de tênis, da música americana e do cinema, então? Pena que a idade não me permita mais acompanhar os lançamentos como o fazia, antes. E não tenha estudado bem o inglês para ler seus autores no original. Grande literatura. E que bela língua! E em vez de ler, ver os filmes. Quanto dos filmes perdemos enquanto lemos as legendas.
Quando mudei para Fortaleza, a cidade era bem servida de cinemas. E boas salas. No Centro, havia o São Luis, o Diogo, o Fortaleza, o Cine-Art e os poeiras: Jangada e Old Metrópole;  no Center Um, primeiro shopping da cidade, havia o Gazeta, onde sexta-feira a noite e sábado de manhã passavam filmes de arte. Havia ainda as salas alternativas: Casa Amarela e Casa de Cultura Alemã. Frequentei-os com assiduidade.
Hoje, os cinemas mudaram de espaço, estão todos nos shoppings que se multiplicam pela cidade. No Centro resta apenas o São Luis, restaurado com os esplendores que merece. Primeiro, como um marco histórico e exemplar típico de uma época; segundo, como única sala de eventos, no centro; terceiro, deveria ser o ponto de partida para a tão discutida recuperação do centro da cidade.  
Sou frequentador de shoppings, mas vou pouco ao cinema. Porque? Pela falta das sessões contínuas. Não posso entrar no cinema com o filme começado e terminar de vê-lo na sessão seguinte. Fazer várias coisas e ver o filme no tempo que eu determinar.  Ver um filme, agora, é um programa e não uma rotina cultural, como antes.
Quem mais deve  estranhar a nova moda, são aqueles que depois do trabalho, entravam no cinema para esperar que a hora do aperto passasse para pegar um bom lugar no ônibus; ou dos namorados, que iam ao cinema por duas serventias: namorar e passar o tempo para ir para casa. No verão, então, era uma delícia: o ar refrigerado, o escurinho da sala e o aconchego dos corpos. Ah! tempos.

sexta-feira, 21 de setembro de 2018


Há quarenta anos esta noite - VI

Gosto muito de ler. Era então natural que uma das primeiras coisas que procurasse na cidade fosse, livrarias. Qual não foi a minha decepção ao ver que só existiam duas: a “Livro Técnico”, na Praça do Ferreira e a “Renascença”, na Rua Major Facundo. Ambas no centro da cidade. Hoje, desaparecidas. Havia muitas livrarias de livros escolares. Mas livrarias para leitores de literatura mesmo, só essas duas.
Comecei, então a frequenta-las. Aí, vi que os estoques pouco se renovavam. Como comprava semanalmente o Jornal do Brasil e o Correio da Manhã, do Rio; e a Folha, de São Paulo, nas Bancas de Jornais da Praça do Ferreira e lendo os seus suplementos literários de sábados e domingos, estava sempre atualizado no que se publicava. Mas demoravam a chegar aqui ou vinham apenas dois ou três exemplares. Alguns já reservados aos figurões locais. Apelava, então para os meus amigos no Rio ou São Paulo.
Algum tempo depois, inaugurou-se a Moderna, na Aldeota, próxima ao Center Um. O gerente, Ari, era o mesmo que me atendia na Livro Técnico, da Praça do Ferreira. Estava protegido. Ia lá semanalmente. Fechou. A Nobel, na Dom Luís, também não demorou muito. Com a inauguração do Iguatemi foi inaugurada também a Siciliano, que perdura até hoje. Agora comprada (?) pela Saraiva. A única coisa que mudou foi o maior acervo de livros de direito da Saraiva. No mais, continua a preferência da Siciliano por best-sellers e auto-estima.
Hoje, a cidade está muito bem suprida de livrarias. Existem vários shoppings e cada um deles tem uma livraria, como: a Saraiva no Iguatemi e North Shopping, a Leitura no Del Paseo e no Rio Mar. Fora dos shoppings, existem a Nobel e a melhor de todas: a Cultura. Cito essas porque são as que mais frequento. Mas deve haver outras, pois me parece que o cearense está lendo muito mais agora do que quando cheguei aqui. Um dos grandes chamariz é o lançamento de livros de blogueiros e de padres católicos, nos shoppings. Superlotam. Antes pouco do que nada.

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