terça-feira, 14 de junho de 2016

                 

Lição nº 2
 
 Relendo “Os frutos da terra", de André Gide, me lembrei de certos textos de Clarice Lispector. Sensorial. Sempre me diziam que “O Imoralista” era seu livro mais perigoso. Não creio em livros perigosos. E se os houver, um dos mais perigosos é justamente o mais lido (?) – a Bíblia.  Mas, em relação a Gide, creio que esses primeiros frutos da terra, será o mais instigante. Lições:
- Suprimir em si a ideia de mérito;
- Que a importância esteja em teu olhar, não na coisa olhada.
- Agir sem julgar se a ação é boa ou má.
- Deixa a cada um o cuidado de sua vida.
- Compreender é sentir-se capaz de fazer.
- Que tua visão seja nova a cada novo instante.
- cada coisa nasce de sua necessidade…
- toda liberdade é provisória…
- o mais belo sono não vale o momento em que se acorda.
- Habituei-me a dormir diante da janela bem aberta…
- minha vida transborda de recordações
- ser só em mim é não ser mais ninguém; eu sou povoado.
- não acredites que tua verdade possa ser encontrada por outrem;
- compreendi que o melhor ensinamento está no exemplo.
- Tudo está em saber ver.
- Todos devem sempre um pouco de si mesmos a outrem.
- Deixei de pensá-lo, ele deixou de ser.
- Deixa pois de censurar o que difere de ti.
- O homem faz-se.
- Depende só de ti
- O apetite de saber nasce da dúvida.
- Somos responsáveis por quase todos os males que sofremos.
- Não implores mais de outrem o que tu mesmo podes obter.

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                    Mercado de Manaus

Sem qualquer bairrismo, para mim, o Mercado Municipal de Manaus, junto com o de Belém, no Ver-o-peso, são os dois mais bonitos que já vi, por esses brasis, no estilo eclético ou art-nouveau. Sua construção foi iniciada em 1880, pela firma Bakus & Brisbin, com pavilhões construídos em estrutura de ferro, pela firma Francis Norton, Engineers, de Liverpool. Ferro, pedra e tijolo.
Situado no centro histórico de Manaus, com uma área de 3.500m², dividida em quatro pavilhões: o Central, o de Carne, o de Peixe e o das Tartarugas, quando a venda desse cetáceo era permitida. Do lado de fora, em cada lado, há um pavilhão para a venda de cigarro, fósforo, bombons, jornais.
Construído por partes, o Mercado, como o vemos  hoje, só foi inaugurado em 1906, pelo então prefeito da cidade Adolfo Lisboa. Que passou a ter o seu nome no frontispício. “Nas duas fachadas principais, fechando os arcos, há gradis de ferro com ornatos decorados, acompanhados por vidros coloridos”, a estrutura é sustentada por 28 colunas de ferro.
Dentro, no vão central, vende-se de tudo, artesanato caboclo e indígena, ervas medicinais, produtos para casa e cozinha, pimentas vivas ou em conserva, farinhas seca e dágua, e o famoso tucupi. O pavilhão de carne para mim não tem graça, mas o de peixe é fascinante. Pela enorme variedade e quantidade. Vai dos nobres: tambaqui, pirarucu, tucunaré os menos nobres, matrinchã, sardinha, mandi até o popularíssimo, jaraqui. Olha, mano, isso é apenas uma amostra do que se vê lá.
Os arredores também é imperdível.  Azafama de barcos que chegam e saem em todas as direções desses confins amazônicos. E se os ouvidos estiverem atentos a música do linguajar local é de merecer também a atenção dos iniciantes em amazonologia. Vai lá! Na cidade, não esquece no “Moronguetá pede costelas de tambaqui na brasa: no “Poraquê” um tucanaré na água grande com farinha do uarini e pimenta murupi e no “Bom Gosto”  pede o caldo de peixe, como entrada. Vai! Vai lá! Manaus te espera.

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