quarta-feira, 1 de julho de 2015


Flashes do Rio
(26/04 a 03/05/2015)

Num desses últimos sábados, Angélica apresentou seu programa Estrelas, no Parque Nacional da Tijuca, ou Floresta da Tijuca, como é mais conhecido, no Rio de Janeiro.  O almoço foi servido no local chamado Mesa do Imperador. O convidado era o ator e chefe de cozinha, Rodrigo Hilbert. Adepto da bicicleta, como esporte. Praticando-o justamente, ali.

 Antes do almoço, porém, Angélica mostrou as belezas da região, inclusive o mirante, chamado de Vista Chinesa. O mirante fica a uns 380 metros acima do nível do mar. De lá, pode-se avistar o Cristo Redentor, a Lagoa Rodrigo de Freitas, as Praias de Ipanema e Leblon e muito distante o Pão de Açúcar. E grande parte da floresta, é claro.

De um folding turístico soube que o nome Vista Chinesa, deve-se ao fato de que o Príncipe D. João VI ter importado agricultores chineses, de Macau, para tentar introduzir a cultura do chá, no Brasil. Fracassada a empreitada, alguns chineses ficaram residindo na região. Dizem que Rugendas registrou a faina desses chineses em algumas de suas telas. Será uma das que pedi emprestado ao Google e usei como ilustração?

O pagode, diz o folding, foi mandado erguer pelo Prefeito Pereira Passos, em 1903, em lembrança do fato e o projeto foi do arquiteto Luis Rei. É uma argamassa copiando o bambu. Fui  lá, com um grupo de amigos, algumas vezes, na década de cinquenta. Por gentileza de amigos, revi-o, agora, e porque não (?) bastante emocionado. De lá, tem-se uma bela panorâmica desta inesquecível cidade.

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Nesses oito dias de Rio de Janeiro, fizemos vários tours, guiados por Helena, a piauiense mais carioca que muitos cariocas, que conheço. Fomos do Porto Maravilha até a Ilha Pura, Cidade da Música, passando por novos túneis, intermináveis trilhos de BRTs, guindastes, terra revolvida e tapumes, tapumes, num verdadeiro delírio de criação e inovação. Ué! Pereira Passos resuscitou?  E nesses tours que começavam as dez ou onze horas e  terminavam as dezesseis ou dezessete, naturalmente, almoçamos em restaurantes os mais diversos.

Por exemplo, o “Casa do Bacalhau”, no Meyer, no “Rancho Verde”, em Jacarepaguá, no “Oficina do Peixe”, em Guaratiba e também,  no “Berbigão” e “Caneco 70”, no Catete.  E o que tinha de mais, nesses restaurantes? Em todos fomos servidos por garçons cearenses. No “Rancho Verde”, o “maitre” Luis é do Cariri. Todos declaradamente satisfeitos, mas com saudades da terra. A carne de sol, a rapadura, o baião de dois. Mas pelo jeito só voltarão para os seus cariris no último pau de arara. Ô xente!

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Onde vamos, agora? Helena então nos convida a visitar a cidade de Jerusalém, dos tempos de Jesus. Um pouco surpresos, mas sempre confiando nas suas dicas, lá fomos nós a Avenida Dom Helder Câmara, 2442, Del Castilho, Visitar o Centro Cultural Jerusalém.

E foi realmente uma grande surpresa. Trata-se de uma maquete, instalada em 730 metros quadrados, da cidade de Jerusalém, na época do segundo templo. O templo foi consagrado em 516 a.C após o retorno da Babilônia.  A maquete reproduz com detalhes a arquitetura das muralhas, templos, palácios, casas, jardins, construídos nos morros e declives do terreno de então.

A visita foi guiada por uma jovem que me pareceu uma estudiosa de história e não uma simples decoreba. Explicava todos os espaços como o Palácio de Herodes, o Tanque de Siloé e o Morro do Calvário, onde Jesus foi crucificado, com um tom tão verdadeiro, que parecia uma guia mostrando o Porto Maravilha, hoje.

A maquete pode ser vista no nível em que ela foi construída ou no alto, de um patamar que a rodeia, numa visão superior. A guia ainda nos informa que as pedras os mármores vieram todos de Jerusalém. Muito interessante, também, é que a cidade (maquete) é apreciada de dia e de noite. Em certos momentos do discurso da guia as luzes se apagam, as candeias das edificações se acendem, podemos ver seus interiores, e a cúpula que cobre a maquete reproduz o céu da época..

Foi aí, quando as luzes se acenderam que, de repente, como num rápido flashback, eu me lembrei do presépio de Natal, no porão da casa de D. Ilca, em Manaus, nos anos trinta, do século passado. O som de um coral e o susto de me sentir duas vezes fora do tempo presente. É uma visita que pode ser apreciada por crentes e increus. Yeruchalaim!! Yeruchalaim !


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